Eu não sou Tadeu Schmidt! Não tive tal felicidade!

Há dois anos atrás, tentei suicídio. 
Fui levado a profunda tristeza, dessas que se arrasta por anos. No meu caso, desde os 13! E curioso que essa tristeza teve início numa época em que, ter depressão era coisa de: 
  • gente "fresca" (seja isso o que for), 
  • gente desocupada, 
  • gente sem vergonha na cara, 
  • gente que tem tres refeições por dia, e pouco trabalha; 
E sem ver qualquer possibilidade de alterar para bem as situações que vivia, algumas já há muito tempo, acordei pela manhã, no horário de sempre, em lugar de tomar os medicamentos contra hipertensão, e outros, em lugar de um único comprimido de anticoagulante, tomei 8 comprimidos de Marevan que há anos uso. Isso, foi cerca de 30 dias depois de ter sido internado e sofrer essa internação por cerca de 15 dias, depois de sofrer uma convulsão essa em ato contínuo a  dois espirros seguidos. 
Já não lembrava que havia passado pela internação, e depois que.me.lembraram, descobri que foi após estes espirros. Descobri porque lembrei deles. Aí, 30 dias depois, nova internação. 
Aparentemente, sofri um derrame. No hospital sabiam da medicação que usava regularmente, mas estranharam a dosagem alta do medicamento no sangue, já que foram informados sobre a doença autoimune que no mesmo hospital descobri em 2012, já noutro momento em que a vida estava por me abandonar. Somar dois e dois é fácil, mas por quê efetuar a soma; isso nem sempre é fácil descobrir, ou determinar. Porque um homem formado em licenciatura em química, morando na Capital baiana e trabalhando para o governo.do Estado em escolas públicas o faria? Homem casado, e com uma filhinha que acabara de completar 2 anos, e com esposa esperando o segundo filho.
Seria o salário baixo? As horas em número elevado de trabalho? As grandes dividas adquiridas sabe-deus como? A traumática saída da casa dos pais e a fala do pai poucos dias após? Seria o insucesso frequente nas atividades laborativas? A relação não tão aprazível no casamento, apesar da filha e do filhote que se declara meu amigo? O silêncio dos céus quando questões importantes são levadas a ele? Os constantes fracassos laborativos, mesmo tendo estudantes aprovados ano após ano.em número bastante superior ao sequer pensado? A relação ruim com algumas pessoas caras e a impossibilidade de ver a condição de respeito, de casamento, e até religiosa mudar, apesar de muitas tentativas frustradas de elevar-se acima desses problemas, sem arrogância? 
Me senti como o personagem bíblico que, apesar de bem sucedido, rico, e seu cuidado nas relações dele com Deus, sempre de temor e respeito ao Todo-Poderoso; perdeu filhos, bens, empregados ficando apenas com a esposa ingrata, e resmungona. E isso tudo porque o diabo tentou envergonhar a Deus! E Deus permitiu que Jó fosse tentado. E embora este não cedesse a tentação e tristeza, amaldiçoando a Deus como sugeriu a tola esposa dele, o homem infeliz, miserável, doente e com os filhos mortos, ainda sofreu perseguição do próprio Deus em pessoa! Claro que todos já ouviram essa história contida na Bíblia, e mesmo sem ter o respito, coragem e bens de Jó, aos poucos, desde a minha tentativa de formação superior, venho administrando medos, perdas, humilhações e descrédito, entre as pessoas que me conheceram e conhecem. Foram dez anos para concluir a faculdade de Licenciatura em Ciências com Habilitação Plena para o Ensino de Química, conheci pessoas com as quais ainda hoje tenho contato ainda que por telefone.
Apenas que, diferente de Jó, não tive a sorte de viver longo tempo ainda, posto que tenho somente (!?) 49 anos não obtive, ainda, a mesma sorte de ter tudo em dobro, e poder dar aos filhos e filhas grande herança, mesmo que casado coma esposa rancorosa e cujo amor é dificil obter, e desfrutar, mas me declarar "farto de dias", próximo a Deus, acolhido por este. Ou minha desgraça ainda não acabou, ou não fui aprovado em minhas obras e falas como foi Jó.
Lembro um colega afirmar que não paro em escola alguma, porque sou antipático. E ele teve delicadeza alguma ao me acusar disso em frente aos demais colegas de trabalho. Muitos desses ouviram, ninguém se manifestou, vários se colocaram ao lado mesmo se calando. 
Claro, isso estava no pacote de autopiedade que usei ao tomar os 8 comprimidos de anticoagulante. Cada um com 7 mg! O médico chegou a afirmar que a medida do RNI, que identifica o total de Varfarina no sangue, não dava conta do valor exato, de tão elevado. 
No dia de hoje Tadeu Schimidt, o herói da emissora, ao mudar de programa, fez hoje um evento de despedida. A emissora inclusive deve agradecer, já que, pelo menos metade do público que assistiu hoje é fã desse repórter. Particularmente, não sou fã, mas o  respeito. 
Aparentemente, ele é o oposto do que sou; sou, em resumo, um fracasso. Não imagino, nem de longe, o porquê de alguns problemas. 
As vezes, penso em fatos de quando tinha menos idade, e me coraria, se não fosse negro. Coisas ingênuas de um rapaz que teve de colocar-se, mas infelizmente, não se colocou tão bem. Embora eu valorize bastante a profissão, não sou considerado dos melhores, embora seja maior o número de estudantes que se mostram respeitosos e gratos em relação a mim, que o número dos que se calam, ou que atacam. Mas de fato, nunca sei ao certo, como encarar o que me dizem, não que eu queira dirigir a minha vida pela opinião alheia, sejam a de quem for. Se todos tivessem de seguir a mesma opinião, provavelmente Deus daria uma única a nós todos. Em lugar disso, ele nada teve o que fazer nos deu o "livre arbítrio". 
Tadeu, saiu do Fantástico, depois de fazer grande público, e aumenta-lo. Teve e aplicou grandes idéias, com uma equipe enorme e cheia de recursos.
A única vez que tive algo semelhante, foi no período em que trabalhei com o Dr Marcos André Vannier na Fiocruz, e sua, à época, esposa, a Drª Eline Decache Maia, além dos jovens que com ele andavam e trabalhavam. Foi um período de grande alegria para mim, e trabalho grande, mas resultados tão bons quanto. 
Um belo dia, algum tempo após deixar o grupo, após ter feito um comentário numa rede social onde debatia meu apoio a Bolsonaro, quando ainda nem o havia de fato formalizado, mesmo em minha mente; recebi um telefonema de Drª Eline Deccache Maia, e ela tentou me mover desse apoio. Como não apresentou argumento favorável, ao final, concluiu que não poderia ser mais amiga que uma pessoa que apoiava um homem que apoia o direito ao uso de armas, e que provavelmente iria instalar uma ditadura no Brasil, deu tchau, e disse que nunca mais teria contato comigo. Curioso isso! Ela anulou todo o trabalho que juntos fizemos por alguns anos, por conta de uma pessoa cuja proximidade conosco é pequena, tem se revelado, até então e até aqui, uma opção diferente das anteriores. Particularmente, os candidatos de 2018, já eram conhecidos e nada de bom tinham para oferecer. Os candidatos de esquerda, seriam, apenas, mais do mesmo, ou piores que Lula, ou Dilma. 
Aparentemente, Drº Marcos, que hoje se encontra, novamente em sua terra natal, o Rio de Janeiro, aplicando seu trabalho de sucesso inconfundível e graças a Deus, usado para benefício de muitos, seja na formação continuada de professores, seja nos mestrados, seja dentro da Fiocruz trabalhando como pesquisador; seguiu o mesmo caminho de Drª Eline, e a despeito do seu belo e proveitoso trabalho em favor da sociedade e em particular educadores e educandos de ensino médio; resolveu evitar contato, ainda que por telefone comigo.
Fato é, que tentei suicídio.
Iniciei um Mestrado pela UNEB. Lá descobri que uma ex-colega da UESC, a quem na época até tentei ser namorado, agora era professora da universidade do Estado da Bahia, casada, e cujo esposo foi meu co-orientador. Jovem sensata, tanto quanto seu esposo, que só já próximo do final do curso descobri ser a minha ex-colega. Ocorreram diversos problemas durante o curso, de dois anos, principalmente, ligados as relações com minhas duas orientadoras. Até hoje, vez ou outra, ainda encontro a primeira delas. E hoje, tenho um conceito bastante diferente do que tive no início sobre ela. Para ser suscinto, até hoje, não tenho o dito Mestrado.
Hoje, sou estudante do curso de Farmácia na UNEB, tive ao menos, 5 ex alunos do ensino médio, que hoje são farmacêuticos, com doutorado, exercendo suas atividades Brasil afora, e até na Itália. Curioso, que exceto um deles, nenhum me suportava. Ao menos com uma tive uma aproximação melhor.
Da-me certa inveja. Eles me ultrapassaram, e que bom fiz parte da vida deles. Se eles conseguiram, porque eu não consigo também? Pois é, ninguém responde. Mas o fato é qie hpje estou na mesma faculdade que eles, mas sem a competencia deles. Nem consegui concluir a graduação, embora tenha algum respeito de alguns professores da instituição. Mas, curiosamente, as disciplinas ligadas a química, não consigo concluir. Ou seja, sou fracassado, também na graduação. As vezes, me acalmo sobre isso, porque a primeira graduação não foi fácil. Diferente de quem tem pais para mante-los na faculdade, eu não consegui ser mantido nela. E meus pais me dariam se pudessem. Sou filho de um pedreiro, e uma senhora do lar. Sou evangélico e temente a Deus, em que, acredito com grande força. Mas, supostamente, não tão grande. Deus é poderoso, e doutra maneira, o mais certo era eu não estar aqui.
Em 2019, passei, ao todo, por 9 internações. A primeira por uma série de convulsões, a segunda como resultado da ingestão de muitos remédios, a terceira como resultado de iniciar uma dosagem nova do anticoagulante antes do tempo devido,ainda que fiz segundo orientação médica, do hematologista, e mesmo assim, o resultado não foi bom, retornando novo derrame. Portanto, em  dias sofri dois derrames e uma convulsão. Tive, em duas ocasiões, das quais somente uma lembro, duas perdas de memória. As outras 4 vezes, nem sei por qual motivo ocorreram. Mas ocorreram. 
Minha maior dificuldade foi a sensação de total distanciamento de Deus, como se não houvesse qualquer chance de, por algum motivo, ter aproximação com Deus. E o meu trabalho... um aluno que encontrei na rua me segredou que, se não morri, foi por não ter direito ao Céu, e "o Diabo não aceita concorrente; por isso não havia lugar para o senhor e por isso o senhor não morreu!". Que crueldade! Já tive alunos de todo tipo: altos, baixos, pretos, ruivas, belos e belas, assim como os carentes de beleza. Tive uma que jurava ser apaixonada por um colega, que ela se recusava a aceitar que era homoafetivo, embora fosse considerado o melhor aluno da casa; hoje ela vive com uma das ex-colegas que tive naquela casa. O aluno criou uma mentira horrenda, e por causa dessa mentira, fui devolvido para a SEC. Essa foi a escola que antecedi a escola onde atualmente trabalho. Como Deus é bom! Só de lembrar dos fatos, me causa profunda amargura. Mas, nunca mais irei cair na situação de nova tentativa de suicídio. 
Esse ano, em uma das aulas remotas, passei muito mal, e o curioso, foi não ter percebido que não estava respondendo bem a luz. Estava com a pressão elevadíssima, e estava simplesmente sentindo dores, e a capacidade de resposta sumindo. Na minha cabeça, achei que estava dando aula, mas os alunos por via remota, estavam me chamando "professor, professor!", e quando eu comecei a me dar conta disso, simplesmente sentei no chão, porque não conseguia ficar em pé, ou mesmo sentado. Não demorou, apareceram dois funcionários da escola aqui em casa a pedido da direção. A essa altura, eu já estava medicado, e estava tudo bem, mesmo sem conseguir me manter em pé.
Enfim: Percalços muitos, sem respostas, muitas questões, poucas certezas: 
  • Jesus me ama;
  • Morreu por mim;
  • Me salvou;
  • Eu aceitei seu sacrifício;
  • E o mérito é dele, tão somente;
Diferente de Schmidt, não sou um homem de sucesso reconhecido. Talvez eu não tenha qualquer mérito para tanto. Não tenho carro, casa própria, minha esposa é cuidadosa, mas não posso chama-la de amorosa. Embora ela tenha muitos amigos e admiradores, na família, no trabalho que exerce e na igreja, acredito que, uma vez morto, ela não sentirá minha falta. Se pensar bem, julgo que já não o sente. Não se trata de algo errado que ela tenha feito. Minhas queixas são as mesmas de há 20 anos atrás, 18, se considerar quando efetivamente nos casamos. Mas, sou grato a Deus pela solidão a dois que sofro ao lado dela.
Efetivamente, me sinto meio perdido. O silêncio dos Céus é torturante, e nesse ponto, me sinto como Jó. Há quem diga que seu sofrimento durou 7 dias, outros, 7 meses, outros 7 anos! Confesso, não me imagino no lugar dele, por 7 horas. E se com os lábios não abandnei a Deus, como sugeriu a esposa de Jó, talvez algumas atitudes minhas não foram nem de longe as mais apropriadas. 
Mas, ah se eu fosse Schmidt!

Encerro essas elocubrações aqui. Se você tiver algo a informar, comentar ou rir, faça. Obrigado!

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