Ciência e cotidiano: escolhas e situações a evitar
CIÊNCIA E COTIDIANO: ESCOLHAS E SITUAÇÕES A EVITAR
Introdução
Há poucos dias atrás, fui realizar um
exame e na conversa com um dos atendentes, este se apresentou como professor de
Filosofia. Eu achei interessante, e expressei surpresa: “legal, sua área de
trabalho é bastante interessante”, e é claro, me apresentei “somos colegas,
pois leciono química”. Ele riu, e disse que não achava nada interessante na
minha área de ensino, e tentou justificar como sendo de responsabilidade das
escolas por onde passou o não ter dado a ele a oportunidade de aprender
Química.
O professor afirmou que havia estudado
no interior baiano, e que lá não havia professores de química e nem física.
Estendi o debate afirmando que também estudei no interior onde fiz o chamado “científico”
que é o equivalente ao nosso moderno “Formação Geral”, mas embora não tivesse
estudado formalmente Filosofia, tive grande curiosidade e li vários grandes autores e filósofos,
através da coleção Grandes Pensadores. Não tenho formação como filósofo, mas
não difícil perceber que o conhecimento que expresso, para ele, não apenas não
é importante, como é risível que alguém o lecione. Aparentemente, do ponto de
vista dele, ter um professor que leciona Química não apenas não me traz mérito
algum, como pode ser motivo de deboche, ou até desprezo.
De modo geral, o estudo das ciências
naturais e exatas é entendido como difícil e sem sentido pela maioria dos
jovens estudantes, no Brasil e fora dele, preferindo não ter que estudar
qualquer das ciências ou disciplinas das áreas ligadas a Matemática, Física,
Química, Biologia ou Astronomia.
Entende que esse conhecimento é inútil,
sem sentido, e exige demais em termos de memorização. Numa época onde focar é
tão difícil, e com tantas exigências, aparentemente, inadiáveis, ter a
capacidade de memorização e foco é cada vez menos favorável de se exercer.
Entretanto, seguramente em nosso
cotidiano esse conhecimento está presente e faz parte das escolhas que
realizamos diariamente, mesmo aquelas onde aparentemente temos plena capacidade
de domínio e escolha.
Com base em quais informações decidimos
quando ao que consumir, evitar, cuidar de nossa saúde, criar filhos, votar,
viver, enfim?
As áreas do conhecimento humano e sua
influência
Há 4 perguntas básicas que todos
realizamos ao menos uma vez em nossas vidas, e, de forma idêntica, temos 4
tipos de conhecimento que nos ajudarão a responder essas perguntas.
As 4 perguntas são:
·
Quem sou eu?
·
De onde vim?
·
Para onde vou?
·
Estamos sós no Universo?
Os 4 conhecimentos que nos ajudarão a
responder essas perguntas são:
·
O Conhecimento Filosófico;
·
O Conhecimento Empírico, ou Senso Comum;
·
O Conhecimento Religioso, ou Teológico;
·
O Conhecimento Científico;
Sabendo que as 4 perguntas podem ser
respondidas por qualquer desses tipos de conhecimento, iremos analisar cada um
deles, e como interferem em nosso dia-a-dia, mesmo para as escolhas mais
simples a realizar.
Conhecimento empírico
Também chamado de senso comum,
corresponde a primeira forma de conhecimento que adquirimos em nossas vidas.
Ela resulta de nossas interações em sociedade e nossas observações
despretensiosas, do ouvir as falas dos mais velhos, e é composta também por
alinhar ditos, paródias e impressões. Algumas com algum valor de fato. Dele
procedem pensamentos e frases como:
·
“Em terra de cego, quem diz ter um olho é rei!”; o que significa dizer
que mais vale ser esperto que ser verdadeiro.
·
“Farofa pouca, meu pirão primeiro!”; portanto que em caso de ausência de
recursos que estes venham suprir primeiramente minhas necessidades.
·
“Deus ajuda quem cedo madruga!”; ou seja, o esforço autentico faz com
que até Deus ajude aquele a quem o produz.
·
“Duas laranjas na estrada: um tá podre a outra bichada!”; ou seja, na
verdade não há grandes facilidades na vida. A laranja, ou qualquer outro
benefício, que poderia ser facilmente encontrada, somente está lá porque não
tem valor algum.
·
“Todo mundo é bom, mas meu chapéu sumiu!”, ou, mesmo os melhores homens
também são capazes de fazer coisas más.
É esse tipo de conhecimento que nos
leva a todos usar medicamentos naturais e formular explicações simplistas para
os fatos que nos cercam. Por esta razão, as pessoas acham que remédio natural,
como chás, não fazem mal, que usar maconha, já que deriva de um a planta não
produz efeito deletério, e, ao contrário, que produtos fabricados
artificialmente são ruins para a saúde.
Não raro, esse conhecimento acaba
invadindo uma outra área do conhecimento: o conhecimento religioso, o que
permite que as informações dele de alguma forma sejam validadas, mesmo que de
fato, nada tenha relação com nada.
Conhecimento religioso
É o conhecimento associado a presença
de seres de cunho elevado, que de alguma forma dominam sobre nós e dirigem
nossas escolhas e nossas ações. Esse conjunto de conhecimentos organiza a nossa
relação com o sobrenatural, com o espiritual.
Desde a Antiguidade ele é apresentado
ao homem como sendo a solução para quase tudo: casamento, nascimento dos
filhos, emprego, profissão, estudo, trabalho, relação com o vizinho, com as
demais religiões, e claro, com a morte. E mesmo hoje, ainda está na base de
como nos relacionamos com nossos semelhantes e conosco mesmo.
Imagine na Antiguidade uma criança que
tivesse crises de epilepsia. Dependendo da crença religiosa, isso poderia ser
considerado uma maldição, e dependendo da crença, uma benção. Em alguns casos,
poderiam afirmar que a pessoa sofria tamanho mal, porque havia sido amaldiçoado
pelos deuses. Ou, que a criança poderia estar tendo um processo de comunicação
com ele.
A realidade sobre esse conhecimento é
muito contraditória. Cada vez que um povo derrota outro, isso se devia ao poder
dos seus deuses, ou como eles lutavam em favor dos que derrotaram outros povos.
Quando um povo era derrotado, se devia ao desgosto que esse povo gerou aos seus
deuses.
E isso não mudou até hoje! Quando
doentes, recorremos a medicina, mas vinculamos suas propriedades a ligação que
o médico teria com a divindade.
Esse conhecimento, e essa relação de alguma forma rege nossas vidas até hoje:
Se perdeu o emprego, ou é porque Deus tem algo melhor para nós, ou porque aprontamos alguma coisa e ele nos castigou;
Se ficamos doentes, podem ser porque ele tem um plano pra nós, ou porque
desdenhamos dele e de seus planos;
No Egito Antigo havia uma divindade que era chamada de Senhora dos Céus (DEUSA-MÃE, [s. d.]). Isis, que com Hátor, eram duas divindades femininas “merecedoras” de adoração no Antigo Egito (ZANCHETA, [s.d.]).
Na Mesopotânia,
Fenícia e Suméria, Astarote era a deusa que mandava em tudo, também
chamada de senhora, ou rainha dos céus, citada na Bíblia como ofensa ao Deus de
Israel, segundo se lê em Jeremias 7:18, (SANTOS, [s. d.])O culto a essas divindades pode ter sido a causa da destruição de Israel
quando da invasão pelos babilônios. Na Turquia, ainda há referência a uma das
mais antigas deusas, Pátnia, e na Grécia há citações a Ártemis, Diana e Hera;
esta sim a Senhora dos céus para Gregos e Romanos, que veneravam os mesmos
deuses, apesar de dar nomes distintos a eles. O título, importante, foi tirado
delas e dado a Maria, a mãe de Jesus, que passou a ser venerada, como “Mãe de
Deus” e “Rainha dos céus”(RAINHA DO CÉU (ANTIGUIDADE) - QUEEN OF
HEAVEN (ANTIQUITY) - QWE.WIKI, [s. d.])
Nem pretendo comentar sobre as
divindades de outros povos igualmente importantes na história humana, vindas da
China, Japão, Índia, e outros países, cujas histórias antigas apresentam fortes
semelhanças com lugares e fatos bíblicos. Afirmo isso, mas nem de longe
pretendo atacar a relação qualquer leitor tenha com Deus, ou melhor, com o seu
Deus. Particularmente, acredito em Deus como criador dos céus e da terra, mas nem
pretendo, nesse momento, debater sobre minha crença pessoal que afronta
cientistas e religiosos. O fato é que o conhecimento religioso e a tentativa de
liga-lo ao passado, presente e futuro das pessoas é algo bastante presente
mesmo nos dias de hoje.
Conhecimento Filosófico
O conhecimento filosófico trata de
questões metafísicas de forma a tentar explicar as questões ligadas a
existência humana por meio de profunda reflexão. Difere do Senso Comum por não
aceitar verdades que partem de observações primárias, pois como foi definido,
deriva de debates e reflexão interior; é pensamento que deriva de raciocínio
lógico-dedutivo(TATTO; BORDIN, 2016).
Mas nossa capacidade de pensar, e a partir dele produzir meios de defesa, para nos aquecer, criar estratégias de defesa e ataque, atuando em conjunto e em solidão; permeados pela capacidade de articular sons e nos comunicar uns com os outros nos permitiu sobreviver enquanto espécie, e passar a ser a espécie dominante no planeta. Somos tudo o que somos, apesar de nossas aparentes fragilidades físicas.
O pensamento filosófico inicia de forma ordenada na Grécia Antiga, a partir de questionamentos sobre ética, política, conhecimento e responsabilidades, fatos que são importantes e essenciais até os dias de hoje.
Na Idade Média, muito frequentemente, a
Filosofia acaba se mesclando com a religião, em particular com a Cristã. É da
natureza humana buscar o conhecimento, porque ele se sente incompleto, apesar
de ser o único ser vivo capaz de realizar pensamento lógico-formal.
A filosofia, difere do senso comum
porque este tenta trazer respostas imediatas para as necessidades humanas,
apesar de nascer como fruto de observação e pensamento(ANTIGUIDADE; AUGUSTO; ROSA, [s.
d.])(CARNEVALLI, [s. d.]). Mas, diferente da filosofia, o senso comum não questiona a si mesmo, e
não produz com fruto de detalhamento refinado e longas horas de reflexão contínua
sobre um tema.
Conhecimento científico
Para alguns é a forma mais elevada de
conhecimento. O conhecimento científico tem como principal função validar ou
não os demais conhecimentos e para isso utiliza-se do chamado Método
Científico.
O conhecimento científico surge como
resposta a necessidade de fazer com que o conhecimento obtido pelo homem
passasse a ter referencia(TATTO; BORDIN, 2016)(DOUTORAL, 2009) em cada área. Surgiu como fruto dos trabalhos desenvolvidos pelo Filósofo Renée
Descartes, como uma forma de refinar o conhecimento, dando-lhe crédito.
É sabido que o homem difere dos demais
exatamente por sua capacidade de articular os neurônios em torno de pensamentos
e que estes, permitiram a nós, seres humanos viver em meio ao ambiente que o
circundava. A espécie humana não possui atributos físicos muito diferenciados:
não apresenta grande capacidade para corrida, grande força física, nem
acessórios para defender-se de predadores como chifres, por exemplo. Nossas
unhas não nos permitem cavar profundamente, nossa visão não alcança distância
muito efetiva. Não temos grande capacidade de produzir calor, e nem de
dissipa-lo. Não voamos, não nadamos com maestria e velocidade, nem podemos
manter-nos sob a água por longo tempo. Ver Tabela ao final do Texto
Mas nossa capacidade de pensar, e a
partir dele produzir meios de defesa, para nos aquecer, criar estratégias de
defesa e ataque, atuando em conjunto e em solidão; permeados pela capacidade de
articular sons e nos comunicar uns com os outros nos permitiu sobreviver
enquanto espécie, e manter-se a espécie dominante no planeta.
Referências Bibliográficas
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em: 17 set. 2020.
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